O Nascimento do Pai

Inúmeros estudos abordam as necessidades e vicissitudes da relação materno infantil, relegando ao pai um papel secundário. Contudo, também ao pai, ocorrem transformações que são percebidas com muita intensidade, desde o período da gestação até o nascimento do filho.

Felizmente ao longo dos anos este papel do pai vem sendo cada vez mais discutido, isso faz com que novas ideias componham um cenário de mudanças para o aumento da participação do pai na relação com a esposa/mãe e com o filho.

Em contrapartida às crescentes estatísticas de abandono dos pais para com suas responsabilidades frente as mães e aos filhos, também aumentam o número de pais preocupados com o desenvolvimento de seus filhos e um melhor relacionamento com suas parceiras.

Contudo a transição para a paternidade é uma tarefa que exige atenção. A partir do nascimento do bebê, os pais podem viver experiências que não estão ligadas exclusivamente ao que está ocorrendo naquele momento. A experiência de ver seu bebê nascer faz emergir afetos ligados a própria experiência de nascimento e sua relação com a mãe e o pai. Este novo pai, ao reviver esta condição através da figura do filho pode projetar na figura da mãe as necessidades e desejos que foram, outrora seus em relação a sua mãe. Desta maneira as experiências prazerosas ou aflitivas vividas pelo filho podem gerar reflexos no pai que interpreta as situações considerando suas memórias afetivas. Esta condição leva este pai a demandar da sua esposa algo que tem mais relação com sua experiência de filho do que com necessidade real do seu bebê. Por isso é de suma importância, pensar e discutir afim de elaborar suas questões, para que não venham a interferir de modo negativo nas relações familiares.

Embora muitos pais sintam-se realizados por sua participação ativa na vida dos filhos, ainda sofrem preconceitos. Em razão desta dedicação, profissionalmente podem se sentir penalizados pela demanda de tempo para o trabalho ao qual, o mercado, cada vez mais competitivo impõe. Para além disso também legalmente não são respaldados, pois são previstos tempos muito menores de licença para os pais. Urge então, pautar frente as instâncias governamentais, o aumento do tempo de licença paternidade para compor com a mãe nos cuidados para com as\os bebês.

Apesar do efeito midiático que produz discursos de rechaço para com atitudes desrespeitosas às necessidades da maternidade e do desenvolvimento do bebê, é razoável que se avaliem todas as possibilidades de acolher os medos e anseios dos futuros pais para que possam elaborar esta nova condição. Grupos onde pais podem trocar ideias, mas sobretudo afetos, contribuem muito para entender este processo de nascer do pai.

Texto escrito por: Fabian Tonin Zanotto, marido da Camila,   pai do Leonardo e da Manuela, psicólogo, entusiasta das relações humanas, interessado em marcenaria, motos e churrasqueiro de final de semana.

Convidamos para o encontro de pais

Responsável pela atividade: Fabian Tonin Zanotto

dia 09 de agosto às 19 horas

Local: Manas Loja e Espaço Coletivo. Rua : 24 de Outubro, 1681.

Mais informações: (51) 9 8405-6323 Michele