Ser Mãe

A famosa frase do poema de Coelho Neto: “ser mãe é padecer num paraíso” é muito usada pelas mães que acompanho nas minhas assessorias. Escuto que ser mãe é maravilhoso e que jamais conseguiriam retornar à vida que tinham antes da maternidade. Mas, muitas vezes, a ideia da maternidade é romantizada com fotos de bebês dormindo e famílias perfeitas. Ninguém fala sobre as dificuldades reais do dia a dia, as dúvidas e inseguranças. No início do ano, o Facebook lançou o desafio da maternidade. A proposta era postar fotos de mães e filhos felizes, mas as mulheres não concordaram com a ideia romantizada da maternidade e começaram a postar imagens e mensagens das rotinas e dificuldades reais. Mais recentemente o Netflix lançou a temporada da série Turma do peito e de forma exagerada, na minha opinião, demonstram o cotidiano da maternidade e os benefícios de se ter apoio e frequentar grupos de mães. Na realidade, o amor instantâneo pode não vir para todas as mulheres no momento em que se tornam mães, e isso é totalmente normal. Um exemplo da dificuldade materna pode ser a amamentação que, no início, pode ser dolorida. Muitas, não vão conseguir amamentar pelos mais variados motivos. E aí vem o primeiro sentimento de culpa e frustração, de muitos que ainda virão. Dormir uma noite inteira? Esqueça. Pelo menos por alguns anos. Isso não quer dizer que você não é uma boa mãe ou que seu filho tem problemas de saúde. Faz parte do processo de desenvolvimento da criança. Às vezes sente fome, dor, necessita ser acalentado durante a noite para voltar a dormir. Acompanho há 17 anos as mães nos cuidados ao bebê e amamentação, e vejo o quanto é desafiadora a maternidade. Precisamos falar abertamente sobre o mundo real da maternidade e o quanto o companheiro e as redes de apoio da família são fundamentais, mas não para dar palpites e sim, para cuidar da mãe. Os grupos de mães são ótimos para trocarem experiências e para que percebam que não estão sozinhas nessa jornada, principalmente, se forem mães de primeira viagem. Mas mesmo passando por todas as dificuldades, a mãe olha para seu filho e não imagina mais sua vida sem ele, a cada dia que passa esse amor só aumenta, é uma construção diária. Quando falamos das dificuldades reais da maternidade, não é para desencorajar as mulheres a terem filhos, mas para alertar de que não é fácil ser mãe ! E que muitas iniciativas podem contribuir para atenuar as dificuldades como o aumento da licença maternidade e paternidade. Espaços e respeito pela amamentação em locais públicos e nos trabalhos, respeito da sociedade por mães que não conseguem amamentar ou terem os partos conforme idealizaram. Salários iguais aos dos homens e que não sejam discriminadas nos seus empregos por serem mães ou mesmo por terem que faltar ao trabalho por motivo de doença dos filhos. A maternidade é um furacão de transformações que trazem mudanças pessoais, profissionais, sociais e um sentimento de amor tão grande que não cabe no peito. Por fim, aproveito outra frase do mesmo poema que citei no início do texto: “Ser mãe é andar chorando num sorriso! ”

Feliz Dia das Mães.

Sabe como a Finlândia conseguiu ter o baixo índice de morte súbita infantil?

Em 1930 a mortalidade infantil era muito grande na Finlândia e a população estava passando por uma crise financeira. O Governo começou a distribuir caixas de papelão com um fino colchão nas maternidades e esse hábito se propagou até os dias de hoje.

Com isso os índices de mortalidade infantil são os menores do mundo. Esses índices se devem ao fato do bebê não dormir na mesma cama do casal, o que é fator de risco para morte súbita, segundo a Academia Americana de Pediatria.

Outros cuidados que se deve ter é não ter objetos no interior berço, como brinquedos por exemplo. Ter colchão fino e sem travesseiro. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda colocar o bebê para dormir de barriga para cima, evitando sufocamento, em caso de vômitos.

É possível restringir o espaço do bebê no berço com rolo de toalha de banho em formato da letra “u”, assim o bebê se sente mais seguro promovendo um sono tranquilo.

 

O sling é o carregador seguro

Uma pesquisa realizada no Canadá e publicada na revista médica Pediatrics, descobriu que o uso de sling por três horas por dia reduziu o choro do bebê em 43% no geral e em 54% durante a noite. O choro do bebê causa liberação de hormônios do estresse em bebês e adultos. Assim, menos choro significa menos estresse e ansiedade tanto para o bebê quanto para os pais.

O sling promove o desenvolvimento físico do bebê. O posicionamento vertical de uma criança carregada promove a força do pescoço e o controle da cabeça. O posicionamento plano dos assentos e berços não promove esse desenvolvimento físico. O movimento constante de carregar não é apenas calmante para o bebê, mas também promove o equilíbrio e o desenvolvimento da orelha interna.

Sling melhora a produção de leite materno e amamentação. O contato físico com a criança faz com que as mães liberem um hormônio chamado ocitocina. A ocitocina promove a descida do leite materno. Muitas mulheres também são capazes de amamentar o bebê no sling, permitindo um fácil manuseio sem as mãos, o que é especialmente útil para mães com mais de um filho.

O sling promove o desenvolvimento neurocomportamental e fala. Os bebês carregados têm uma visão do mundo em constante mudança. Eles estão expostos a vozes variadas, emoções e expressões faciais, o que é crucial para o desenvolvimento neurocomportamental. Os bebês carregados geralmente ouvem mais linguagem. Quanto mais palavras um bebê ouvir, mais palavras ele dirá quando criança.

O sling melhora ligação materno-infantil e apego pela produção de ocitocina. O forte vínculo materno-infantil promove melhores cuidados ao bebê e diminui a incidência de depressão pós-parto.

O Sling ajuda a se exercitar! Carregar o bebê durante o dia é um excelente treino para os pais, e uma ótima maneira de entrar em forma depois da gravidez. Com o bebê amarrado a você, cada passo dado pela casa ajuda a exercitar as pernas, as costas e o abdômen. À medida que o bebê ganha peso, a intensidade do treino aumenta lentamente.

Previne a Plagiocefalia é o termo médico para uma assimetria no crânio dos bebês além da habitual, geralmente provocada pela posição constante em que a criança é colocada para dormir ou fica a maior parte do tempo. A cabeça acaba ficando com um formato ovalado para um dos lados.

Referência:

https://childrensmd.org/browse-by-age-group/newborn-infants/should-you-wear-a-baby-sling/

Técnica de Translactação e relactação

É indicado em caso de prematuridade, diminuição da produção do leite materno e uma das grandes vantagens é que não interfere na amamentação, já que o bebê, ao sugar o seio, recebe o leite através do sistema com a sonda, ao mesmo tempo estimula a musculatura necessária para sugar o seio materno e a produção do leite materno.

O ideal que seja leite materno ordenhado para fazer a técnica e que a mãe tenha acompanhamento e orientações de profissional especializado em amamentação.

Abraço.

 

A Shantala auxilia no relaxamento e no sono do bebê.

Frederick Leboyer, médico obstetra francês que trouxe a técnica da massagem para o ocidente em 1970, conta que em Calcutá a mais abandonada de todas as cidades da Índia, numa bela manhã de sol, encontrou Shantala, sentada no chão, massageando seu bebê. A massagem parecia um ritual, lento e harmônico e com toque firme.  O nome Shantala, é em homenagem a mãe que estava massageando seu filho. O médico pediu permissão para fotografar os passos da massagem e publicou em seu livro.

É indicada para bebês a partir de um mês de vida, auxilia a criança a relaxar, eliminar tensões, bloqueios e insônia. Proporciona segurança e eleva auto-estima, equilibrando os sistemas energético e emocional. Também atua em disfunções orgânicas como cólica e prisão de ventre, entre outros benefícios (Nardo et al, 2014). A Shantala é uma terapia complementar simples, acessível, de baixíssimo custo para promoção e atenção em saúde, fortalecendo o vínculo mãe – bebê. Técnica inserida na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares Portaria nº 971/GM/MS, de 03 de maio de 2006, a partir das Portarias: Portaria 145, de 11 de janeiro de 2017/MS e Portaria 849, de27 de março de 2017/MS.

O ideal é realizar diariamente, após o primeiro mês de vida, antes do banho, a massagem no bebê com óleo vegetal, o tempo da massagem varia em torno de 20 a 30 minutos. É muito importante que o ambiente esteja aquecido, tranquilo e que a mãe tenha tempo para curtir esse momento com o bebê sem cuidar o relógio. O olho no olho e a interação entre os dois são fundamentais para o bebê. A técnica da massagem tem como princípio a circulação energética, o carinho, tato e o brincar. Alivia a cólicas e a agitação do bebê além de serem ideais para transmitir segurança e confiança, sentimentos que serão guardados nas suas lembranças e irá influenciar suas relações com o mundo. Quem recebe amor, aprende a retribuir com amor, se tornando adultos equilibrados e tranquilos. A massagem de origem indiana e milenar é a comemoração da vida e do amor, é uma forma da mãe transmitir ao seu filho a segurança do ventre e nutrir este ser para desenvolver-se saudavelmente seu corpo físico, mental e emocional. O toque na pele é a primeira comunicação com o mundo. As mães na Índia acreditam que para o bebê, ser acariciado, massageado, amado, é tão importante quanto ser amamentado. Esse aprendizado é passado de mãe para filho (a).

Benefícios da Shantala para o bebê:

– Fortalece o sistema imunológico;

– Alivia tensões e ansiedade;

– Desenvolvimento motor e emocional;

– Reforço do vínculo e da segurança;

– Ajuda no crescimento de relações saudáveis;

-Promove sono tranquilo e alívio das cólicas;

– Aumenta a percepção corporal, relaxamento e prazer.

Abraço,

Enf. Michele Ferreira

Consultoria na amamentação e sono do bebê

 

Dores e lesões mamilares durante a amamentação

A incidência de dor mamilar e lesões mamilares variam de 34% a 96% em mulheres que amamentam. O mau posicionamento e pega incorreta do bebê no seio é um dos motivos para esta complicação. Em estudos feitos para avaliar o uso de cremes, pomadas, óleos para redução da dor, não houve melhora suficiente para recomendar o uso destes produtos para tratamento de dor nos mamilos.

 

Qualquer ruptura na pele do mamilo, pode levar a predisposição de infecções fúngicas e bacterianas. Adotar algumas medidas como: Manter a região dos seios arejada, com proteção de coxins de tecido, higienizar os seios com o próprio leite materno podem prevenir a infecção e ajudar a cicatrizar as lesões.

 

Geralmente após 7 a 10 dias após o parto, a dor diminui e com a correção da posição e a pega do bebê as lesões vão cicatrizar.

 

Qualquer dúvida ou dificuldade com a amamentação, entre em contato.

 

Abraço,

 

Michele Ferreira

 

Enfermeira Neonatal/ Consultoria em Amamentação e sono do bebê

 

Coren RS 156370

 

Como criar um leitor?

As crianças não nascem leitores. Criam o hábito a partir da oportunidade de brincar com os livros, enquanto não são alfabetizadas. E aprendem, na convivência com os pais, que leem as histórias para que possam mergulhar nas aventuras dos super-heróis, criando suas próprias fantasias.

O ato de ler com o filho cria laços muito especiais entre ambas as partes. E quando a criança vai para a escola é importante que os educadores incentivem a leitura, porque eles também são responsáveis por criarem leitores.

Os benefícios são inúmeros e para a vida toda. Além de escrever melhor, amplia o vocabulário, estimula a memória, a criatividade e o senso crítico. Desenvolve a habilidade de escuta e ajuda a relacionar-se melhor com as pessoas, além de ser um momento de diversão e prazer para ela.

Hoje em dia, parece que o interesse pela leitura tem aumentado por parte das crianças. As editoras de livros infantis não só aumentaram a quantidade de produtos como também melhoraram sua qualidade.

Como criar o hábito da leitura?

Especialistas indicam que mesmo antes de iniciar o processo de alfabetização, os pais devem procurar saber quais as histórias que agradam as crianças ? E ter o hábito de ler para elas – ter livros de plástico para a hora do banho, livros para pintar, perguntar sobre a história e o que ela gostou para estimular a interpretação e a memória.

Comece com livros mais ilustrativos e tenha livros à disposição, assim como brinquedos.

Paulo Freire afirmava que “não é o discurso que ajuíza a prática, mas a prática que ajuíza o discurso”. Portanto, um dos principais estímulos é ler para seus filhos. A leitura é tão importante, que “receitar livros” se tornou uma recomendação médica no exterior e no Brasil.

Estudos científicos comprovam que ler para as crianças em voz alta, ativa regiões do lado esquerdo do cérebro associadas, entre outras coisas, à compreensão narrativa. A pesquisa quantificou, por meio de ressonância magnética funcional, os efeitos da leitura sobre a atividade cerebral de 19 crianças de 3 a 5 anos de idade. Crianças cujos pais reportaram ler mais para seus filhos e ter mais livros em casa, apresentaram uma ativação significativamente maior de áreas do hemisfério esquerdo do cérebro. Estimular o hábito da leitura cria condições para que as crianças tenham um desenvolvimento saudável, tornando–se pessoas criativas e críticas.